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A HERANÇA DE ALFRED CHANDLER O
OUTRO "PAI" DA GESTÃO NOS
40 ANOS DE "ESTRATÉGIA & ESTRUTURA" (1962-2002) E AOS 84
ANOS DE VIDA Os anos 60 do século XX assistiram
ao "take off" académico da disciplina da estratégia como
"rainha" do management e à afirmação social de
uma nova classe, os gestores, que entretanto se massificou. O historiador que
melhor narrou a marcha da "revolução da gestão"
desde o final do século XIX e que colocou, preto no branco, a prioridade
à estratégia sobre a tradicional "reestruturação"
de empresas, foi Alfred duPont Chandler. O seu livro «Estratégia
& Estrutura», publicado em 1962, é considerado o marco da irresistível
ascensão da estratégia. Produção
e edição de Jorge Nascimento
Rodrigues para um dossiê publicado na revista portuguesa Executive Digest
(Julho 2002) LINKS DE REFERÊNCIA Quem
é Chandler | Entrevista exclusiva com Chandler
(versão completa em português) Dossiê
de 5 Testemunhos sobre Chandler | Versão
disponível em inglês no original LIVROS
DE CHANDLER DISPONÍVEIS NA AMAZON.COM «Strategy
and Structure» | «The
Visible Hand» | «Scale
and Scope» «A
Nation transformed by Information» | «Inventing
the Electronic Century» LIVROS SOBRE CHANDLER DE
REFERÊNCIA «The
Worlds Newest Profession», por Chris mcKenna «The
Essential Alfred Chandler», por Thomas McCraw Um
artigo sobre Chandler da investigadora Mercedes Arroyo, da Universidade de Barcelona:
«Alfred Chandler y el debate en torno a sua obra intelectual» (em
castelhano na Revista Bibliográfica de Geografía y Ciencias Sociales,
nº141, Março 1999) Alfred duPont Chandler está para
a história da Revolução da Gestão como Peter Drucker
está para a sistematização da prática e da disciplina
do management. Chandler trouxe a narrativa científica e o olhar do historiador
para um terreno porventura árido de conselhos esquemáticos de management.
Muitos apelidam Chandler de «Fernand Braudel» - o grande historiador
económico - do mundo empresarial. E alguns dos seus admiradores vão
ao ponto de dividir a história das organizações modernas
antes (AC) e depois de Chandler (DC). A revolução
da gestão Chandler chamou à atenção para
uma ruptura histórica - a passagem do capitalismo industrial típico
ligado à Revolução Industrial para o que designou de capitalismo
"gestionário". Esta fractura começou nos anos
80/90 do século XIX, depois da Grande Depressão da época,
e estendeu-se até final dos anos 20 do século XX. Consistiu na transição
da direcção pessoal das empresas pelos capitães de indústria
para uma nova elite de profissionais que não detinham a propriedade das
empresas, mas que exerciam o poder real no plano estratégico. O surgimento
desta hierarquia integradora dentro das organizações derivou da
complexidade que os novos sectores de negócio emergentes revelavam. Os
meios modernos de transporte e de comunicação - os caminhos de ferro
(boom a partir de 1830) e do telefone (arranque com Bell em 1876) - e depois a
produção em massa (criada por Henry Ford uns anos depois da fundação
da Ford em 1903 numa avenida de Detroit) e a moderna distribuição
exigiam «a introdução de capacidades organizativas e a separação
entre a propriedade e a gestão», sublinhou Chandler, que estudou
quatro grandes companhias - a General Motors (GM), a Standard Oil, a du Pont e
a Sears, Roebuck & Co. O caso mais emblemático dessa mudança
foi a GM nos Estados Unidos. Em 1923, Alfred Sloan chegava à liderança
da empresa, pela mão dos seus novos proprietários majoritários
(a família du Pont) que afastaram William Durant (que fora o fundador da
GM em 1908), e num curto período de dois anos instituiria a arquitectura
fundamental da grande empresa moderna - o que os americanos designaram por "corporation"
com uma estrutura multidivisional e uma equipa de gestores especializados em diversas
funções. Este novo tipo de organização entusiasmou
Chandler que viu nela "uma nova instituição humana" parteira
de uma nova era. Já Peter Drucker se deixara seduzir, parcialmente, por
ela, ao escrever em 1946 «Concept of Corporation», dezasseis anos
antes. Chandler viu, também, o surgimento de um novo tipo de "homem
económico" - o gestor, um profissional do conhecimento organizacional,
que umas décadas antes Chester Barnard designara por "executivo"
em "As Funções do Executivo" (publicado em 1938), baseado
na sua própria experiência à frente da Bell de Nova Jersey
nos anos 20. A vaga de fusões e aquisições
do pós-guerra, a explosão da diversificação, o arranque
da internacionalização das jovens multinacionais, e a nova revolução
tecnológica (ligada ao transístor e ao transporte aéreo),
fizeram disparar a estrutura multidivisional - as "corporações"
passaram de um máximo de 10 divisões em média para 40 a 70!
Já não chegava uma elite, era necessário um batalhão
de gestores. Chander somou A+B e descreveu a "revolução
da gestão" (já com várias dezenas de anos no activo)
no preciso momento - anos 60 do século XX - em que se assistiu à
massificação da profissão de gestão, com o desenvolvimento
de uma camada de gestores intermédios, que seriam um dos sectores sociais
em crescimento na classe média americana. A vaga de fusões e aquisições
do pós-guerra, a explosão da diversificação, o arranque
da internacionalização das jovens multinacionais, e a nova revolução
tecnológica (ligada ao transístor e ao transporte aéreo),
fizeram disparar a estrutura multidivisional - as "corporações"
passaram de um máximo de 10 divisões em média para 40 a 70!
Já não chegava uma elite, era necessário um batalhão
de gestores. O impacto da visão do historiador Chandler
disparou em várias direcções ao apreciar o papel histórico
das "corporações". Num só golpe, combateu várias
apreciações ideológicas. Contrariou a ideia de que as grandes
empresas eram "rentistas", lideradas pelos barões-ladrões,
e que o monopólio ou oligopólio em determinados segmentos e nichos
era economicamente prejudicial e moralmente inaceitável. Chandler despolitizou
a carga negativa sobre o mundo dos grandes negócios. Deu-lhe uma razão
histórica progressiva - a passagem de um capitalismo para outro. Chandler
despolitizou a carga negativa sobre o mundo dos grandes negócios. Deu-lhe
uma razão histórica progressiva - a passagem de um capitalismo para
outro. E como separou - quase furiosamente - a elite de gestores dos
financeiros, sempre considerou o capitalismo "gestionário" como
o fenómeno emergente e não o capitalismo financeiro. Chandler sempre
condenou quando os financeiros metem o dedo onde não devem e ditam a estratégia
nas empresas - nomeadamente as decisões de diversificação
por razões que nada têm a ver com as competências e a base
de conhecimento da empresa. E louvou o facto dos responsáveis da Wall Street
terem ido para a cadeia (Sing Sing) nos anos 30, depois do "crash" e
dos escândalos terem vindo a nu. Por outro lado, discordou da ideia
fatalista de que as grandes organizações empresariais eram forçosamente
burocráticas, uma opinião que vinha da área da sociologia
influenciada por Max Weber. O trabalho pioneiro de Chandler influenciou,
também, toda uma geração de historiadores do mundo empresarial
e da economia. Quando ele chegou à Harvard Business School em 1971 haviam,
apenas, 13 investigadores interessados em história - hoje há mais
de 1300! Finalmente, o impacto do livro «Estratégia & Estrutura»
foi, particularmente, profundo no negócio da consultoria. Até ali,
as consultoras dedicavam-se a tratar de "reestruturações"
de empresas, ou seja, mexiam nas estruturas. Chandler veio dizer peremptoriamente
que a estrutura segue a estratégia, depende desta. Peter Drucker
escreveria, dois anos depois, «Gerindo para Resultados», que ele considerou
«o primeiro livro sobre o que hoje se designa por estratégia»,
o que manifestamente "esqueçeu" Chandler. À parte
a discussão da paternidade sobre a primeira obra versando estratégia
(empresarial), os livros de Chandler e Drucker provocaram uma "revolução"
na consultoria, que permitiria a esta irromper como um negócio de volume
ao longo dos anos 70 e 80. Se Michael Porter ou Tom Peters se puderam afirmar
como gurus, e a McKinsey ou o Boston Consulting Group como "fábricas"
da gestão estratégica, a Chandler e Drucker o devem. As
más línguas afirmam que Alfred Chandler "perdeu" a corrida
para o Nobel da Economia porque resolveu tocar na «vaca mais sagrada»
da economia clássica - Adam Smith. As más línguas
afirmam que Alfred Chandler "perdeu" a corrida para o Nobel da Economia
porque resolveu tocar na «vaca mais sagrada» da economia clássica
- Adam Smith. Chandler, em 1977, escreveu "A Mão Visível",
onde explicou que a revolução da gestão nos negócios
americanos tinha revelado que era a gestão, os gestores e as corporações
que mandavam, e não mais o mercado, a tal "mão invisível". Em
1990 publicou «Escala e Diversificação», a obra que
muitos consideram fechar esta trilogia de livros em trinta anos. Mais recentemente,
tem-se dedicado a estudar a revolução da informação.
Em 2000 publicou «Uma Nação transformada pela Informação»,
em co-autoria com James Cortada, e no ano passado deu à estampa «Inventando
o Século Electrónico», a que se seguirá, ainda este
ano (2002), a análise do sector químico e farmacêutico. Chandler
fará 84 anos em Setembro próximo (2002). Dedicamos um dossiê
aos 40 anos sobre o livro pioneiro de 1962, ouvindo outros historiadores seus
seguidores e alguns especialistas em estratégia críticos.
ENTREVISTA A ALFRED CHANDLER aos 84 anos O
«pai» da estratégia recorda a sua obra de 1962 «Estratégia
continua a ser o destino» Numa entrevista em exclusivo, Chandler,
que vive na outra margem de Boston, afirma que a "estratégia continua
a ser o destino" da gestão das organizações. Recorda
que a obra de Chester Barnard, escrita quase 30 anos antes, o influenciou sobremaneira
e que foi um desafio em 1954 com outro amigo e colega do Colégio de Guerra
da Armada norte-americano que o levou a escrever a sua obra seminal «Estratégia
e Estrutura». Chandler presta homenagem a Alfred Sloan pelo seu trabalho
pioneiro na GM nos anos 20 e refere Andy Grove e a Intel como exemplos recentes
dentro da mesma linha de inovação prática em gestão.
O livro de Chester Barnard «As Funções do Executivo»,
escrito em 1938, e as obras de Peter Drucker de 1946 ("Conceito de Corporação",
sobre o estudo de caso da GM) e 1954 (a sua obra de síntese sobre a prática
da gestão) exerceram alguma influência no seu livro «Estratégia
e Estrutura»?
O livro de 1938 de Chester Barnard teve uma grande
influência na escrita de Strategy and Structure. Os livros de Peter Drucker
tiveram muito menos impacto. Porque se decidiu a escrever «Estratégia
e Estrutura»? A decisão de escrever «Strategy and
Structure» surgiu, uns anos antes, em 1954, quando fui convidado a criar
e a leccionar um curso no Naval War College, em Newport, em Rhode Island, sobre
o tema "bases para uma estratégia nacional". William Rietzal,
que estava naquele Colégio da Armada numa outra qualidade, interessou-se
pelas mudanças ocorridas nas estruturas organizacionais militares na época
do pós-Segunda Guerra Mundial, particularmente naquelas que emergiram com
a criação do Departamento de Defesa norte-americano do pós-guerra.
Eu estava, na altura, a desenvolver o meu interesse científico pela evolução
das modernas estruturas empresariais. Decidimos, então, que cada um iria
escrever um livro sobre as nossas respectivas preocupações intelectuais.
Rietzal nunca completou o seu livro. O meu saiu em 1962. Continua a achar
que a estratégia determina a estrutura? É claro que a
estratégia continua a determinar a estrutura. Esse é o tema do livro
«Strategy is Destiny» de Robert Burgelman, recentemente publicado
(2002). É um livro que nos conta a evolução da estratégia
da Intel e da sua estrutura de apoio. Como avalia a obra de Igor Ansoff
sobre planeamento estratégico como fonte de vantagem empresarial - algo
de que ele falou 20 anos antes de Michael Porter? A obra de Igor Ansoff
constitui, sem sombra de dúvida, um trabalho pioneiro no planeamento estratégico
e na vantagem corporativa. A nova organização de empresa,
de que falou nesse seu livro pioneiro, teve alguma influência nos sectores
emergentes da economia ligados às vagas de inovação tecnológica
dos últimos ciclos longos do capitalismo? Sim, teve. O tipo
de estruturas empresariais, cuja evolução descrevo em «Strategy
and Structure», foi primeiramente adoptado por empresas em indústrias
crescentemente intensivas em capital e conhecimento, tal como refiro no capítulo
12. Isto porque a nova estrutura multidivisional permitiu a comercialização
de novas tecnologias de fabrico de produtos para diferentes mercados. Por exemplo,
as companhias químicas começaram, desde 1920, a produzir em crescendo
para uma variedade de químicos, fibras, filme, plásticos, explosivos,
entre outros. A nova estrutura organizacional permitia-lhes baixar o custo unitário
quer através de economias de competência/diversificação
quer de escala. Henry Ford foi o empreendedor que inventou
a moderna indústria automóvel e com o seu método de produção
em massa fabricou o célebre modelo T. Alfred Sloan, por seu lado, foi o
tipo de gestor clássico que criou a estrutura empresarial essencial para
se tirar proveito das economias de competência e de escala. Qual
é a diferença entre os empreendedores de Schumpeter e a classe de
gestores de que fala no seu livro «A Mão Visível» (de
1977)? Os empreendedores de Schumpeter foram os criadores de um novo
produto, geralmente baseado em nova tecnologia. Por seu lado, os gestores referidos
em «The Visible Hand» foram os que criaram a organização
indispensável para capturar as economias de competência e de escala.
Por exemplo, Henry Ford foi o empreendedor que inventou a moderna indústria
automóvel e com o seu método de produção em massa
fabricou o célebre modelo T. Alfred Sloan, por seu lado, foi o tipo de
gestor clássico que criou a estrutura empresarial essencial para se tirar
proveito das economias de competência e de escala. Em 1921, quando Sloan
tomou a seu cargo a General Motors, esta empresa detinha 13% do mercado americano.
A Ford detinha 56%. Em 1927, depois de Sloan ter concluído e inteiramente
introduzido a estrutura empresarial operativa multidivisional, a quota liderada
por Henry Ford era de 9% e a por Alfred Sloan era de 44%. A Ford não teve
outra alternativa senão ajustar-se à estratégia e à
estrutura da GM. Uma das mais importantes inovações em
gestão foi o trabalho desenvolvido, precisamente, por Sloan na GM. Há
algo comparável, no terreno prático, mais recentemente? Sim,
há uma excelente comparação - a Intel de Andy Grove, tal
como foi descrita por Burgelman em «Strategy is Destiny», a que já
me referi. Acha que, durante o período da Nova Economia, a estratégia
foi muito maltratada, como o acusou Michael Porter na revista Harvard Business
Review? A nova economia baseia-se em muito mais do que apenas nova tecnologia;
baseia-se sobretudo numa revolução tecnológica baseada nas
comunicações electrónicas. O conceito de estratégia
não muda. A estratégia permanece o destino, mas as estratégias
das empresas individuais têm de ser redefinidas de modo a usufruírem
da vantagem da nova tecnologia electrónica. Com os últimos
acontecimentos em torno do caso da Enron, a classe dos gestores não está
a ser posta em causa no seu poder discricionário? Não estaremos
próximo do fim do papel da classe de gestores e dos seus "amigos"
do negócio da auditoria e da consultoria? Eu considero os gestores
da Enron, assim como os dessas firmas de contabilidade, como parte da classe gestora.
Assumo que os últimos continuarão a providenciar serviços
de consultoria e de contabilidade, embora talvez tenham de operar em empresas
distintas, se o Congresso norte-americano aprovar uma lei que separe claramente
a consultoria, por um lado, da verificação de contas, por outro.
NOTA: Uma outra entrevista recente (2002) com Chandler
foi realizada por Art Kleiner para a revista Strategy+Business (da Booz Allen
Hamilton) e pode ser lida em www.strategy-business.com
procurando a edição de Second Quarter 2002, na secção
The Creative Mind com o título «Professor Chandler's Revolution»
(reprint 02209). O
miúdo que queria ser historiador A família conta que Al
(diminutivo de Alfred) aos seis anos declarou que queria ser historiador. Lenda
ou não, o facto é que se tornou numa das referências da história
económica contemporânea. Alfred duPont Chandler foi criado
na tradição da família du Pont (a do grupo E.I. Du Pont de
Nemours). Em plena adolescência, o pai (Alfred duPont) levou-o numa grande
viagem seguindo a rota de Darwin até às Ilhas Galápagos. Em
1945, após a tropa na Marinha americana, voltou à Universidade de
Harvard, com 26 anos, uma mulher e três filhos pequenos. E foi o acaso que
o empurrou para o seu sonho de historiador - a morte de uma tia-avó levou-o
a mudar-se para casa dela, e aí descobriu o incrível espólio
do seu bisavô Henry Varnum Poor (um dos fundadores da Standard & Poor),
que fora pioneiro como analista da realidade económica empresarial. Al
doutorou-se em história em 1952. Dos anos 50 aos 70 deu aulas e investigou
no Massachusetts Institute of Technology e na Universidade John Hopkins. Em 1971
entraria na Harvard Business School, onde começaria como investigador associado
no Centro de Investigação em História do Empreendedorismo,
que havia sido criado por Schumpeter. Ao seu empenho, se deve o enorme interesse
que a Harvard Business School dedicou aos "case studies". Em 1989
é tornado professor emérito na Harvard Business School. O
professor Chandler por der contactado por email
Biografia e bibliografia de Alfred Chandler em www.caslon.com.au/biographies/chandler.htm
5 TESTEMUNHOS SOBRE
ALFRED CHANDLER Richard John | Chris
Mckenna | JoAnne Yates | James Cortada
| Gary Hamel «Chandler
sempre foi crítico dos 'financeiros'» por
Richard R. John, historiador de gestão
Departamento de História, Universidade de Illinois, Chicago, Estados Unidos Este
especialista estudou profundamente a obra de Chandler. A ele se deve a análise,
até à data, mais desenvolvida sobre uma outra obra marcante do teorizador
da revolução da gestão. Um artigo científico que publicou
em 1997 na revista Business History Review intitulado «Elaborations, Revisions,
Dissents: Alfred D. Chandler Jr's The Visible Hand after twenty years» é,
até hoje, dos mais citados sobre o pensamento de Chandler, que sempre teria
sido muito crítico dos 'financeiros' (que dirigem muitas empresas), uma
espécie que não gostaria de confundir com os gestores. O artigo
de Richard R. John pode ser lido na Web no H-Business
Forum da Business History Review Qual foi a contribuição
original de Chandler com a publicação do livro «Estratégia
e Estrutura» («Strategy and Structure, Chapters in the History of
the Industrial Enterprise»)? As obras de Chester Barnard e de Peter Drucker,
que são anteriores, não se situaram no mesmo terreno? Não.
Strategy and Structure em 1962 é uma monografia histórica, baseada
numa investigação exaustiva de fontes primárias relevantes.
Por isso, trouxe as ferramentas de um historiador para o estudo do "governo"
das corporações. Isto foi novo para a época e, ainda hoje,
continua a ser a marca distintiva da obra de Chandler. Barnard era um executivo
de negócios; Drucker um consultor. Nenhum trabalhava dentro das disciplinas
académicas estabelecidas. Chandler mudou o foco
tradicional de análise da moral dos líderes empresariais individuais
para a eficiência das diferentes formas organizacionais - em que a mais
importante era, na época, a corporação industrial Outra
obra marcante de Chandler, publicada em 1977, e que recebeu um Prémio Pulitzer,
foi «A Mão Visível: A Revolução da Gestão
na América Empresarial» (The Visible Hand: The Managerial Revolution
in American Business). Foi, finalmente, a morte do velho paradigma da "mão
invisível" do mercado criado por Adam Smith, e que tão poderosa
influência ideológica tem tido? Visible Hand sumariou e
reformou meio século de conhecimento académico no campo da história
empresarial. Mudou o foco de análise da moral dos líderes empresariais
individuais para a eficiência das diferentes formas organizacionais - em
que a mais importante era, na época, a corporação industrial
(ou o que Chandler designou por "moderna empresa de negócio").
Ao fazê-lo, ele promoveu, na firma moderna, uma certa legalidade moral que
alterou a forma como os historiadores e os economistas escreviam sobre a economia
moderna americana. Chandler sempre relacionou inovação
tecnológica com a moderna empresa. Ele próprio tem estudado a história
das indústrias electrónica e química A mão
visível da gestão e da classe de gestores tem algo a ver com a emergência
dos novos sectores da economia do século XX? Chandler sempre
relacionou inovação tecnológica com a moderna empresa de
negócio. Nem todos concordaram com ele, mas este é um tema consistente
na sua obra. Em particular, ele encorajou um grande número de estudantes
para a investigação industrial e, recentemente, tem estado a trabalhar
em dois campos "high-tech": a electrónica (por exemplo, as obras
«A Nation Transformed by Information», de 2000, e «Inventing
the Electronic Century: The Epic Story of the Consumer Electronics and Computer
Industries», de 2001) e os químicos. Como é que aconteceu
este facto surpreendente: a revolução da gestão começou
logo no século XIX, completou-se provavelmente no final da Primeira Guerra
Mundial, mas só por volta dos anos 40 a 60 do século XX tomou forma
literária e se teve consciência dela? É comum, na
inquirição histórica, os períodos serem caracterizados
muito tempo depois do acontecimento que lhes deu o nome. Ninguém que vivia
na segunda metade do século XIX na Inglaterra da "Revolução
Industrial", designava este período por esse nome (este termo só
foi popularizado em 1880). Alfred Sloan, o executivo da GM, que iniciou a carreira
na década de 20 (do século XX), antecipou alguns dos temas que Chandler
iria focalizar. Os princípios da gestão moderna eram, então,
bem entendidos por algumas figuras da imprensa da negócios. Uma resposta
completa a esta questão exigiria pôr em revista grande parte da história
cultural do século XX americano. É uma boa pergunta - mas não
algo que se possa responder num curto espaço. Qual é a
diferença entre o empreendedor "heróico" de Schumpeter
(as tais pessoas que "abrem" a novas vagas longas da economia) e os
gestores de Drucker e Chandler? Chandler está tão interessado
nos gestores como nos empreendedores schumpeterianos. Mas, teve a tendência
sobretudo para se centrar nas contribuições dos gestores, uma vez
que são eles que mantêm a organização que os empreendedores
ajudam a criar. Ou seja, de um modo simples (talvez muito simplista), os gestores
operam nos constrangimentos; os empreendedores alteram esses constrangimentos. A
queda da Enron é muito séria, mas é uma acusação
contra a mania "desreguladora" - e não contra o capitalismo empresarial,
com o qual, pelo menos de acordo com a definição de Chandler, tem
muito pouco em comum Uma das grandes inovações de gestão
derivou do trabalho prático de Alfred Sloan na GM nos anos 20. Teremos,
nos anos mais recentes, exemplos similares? Eu não sou a melhor
pessoa para responder a essa questão, uma vez que, como historiador, foco
a minha atenção no passado menos recente. Mas há alguns pensamentos
possíveis: a Dell Computers é muito inovadora na "assemblagem"
e no marketing de computadores desenhados para os clientes (o que se chama hoje
de "customização"). Talvez valha a pena amplificar este
exemplo. Por outro lado, a General Electric de Jack Welsh é muito admirada
na imprensa de negócios. Por isso, talvez também valha a pena mencionar
o seu trabalho na GE. Com os últimos acontecimentos em torno do
caso Enron - algo que parece ser uma tendência geral para a "contabilidade
criativa" nas grandes empresas americanas e não um facto isolado -,
a classe de gestores não estará posta em causa no seu poder? Não
estaremos a chegar ao fim do reinado da classe dos gestores de topo e dos seus
"amigos" na consultoria e na auditoria? Chandler sempre foi
muito crítico (senão mesmo insolente) relativamente aos financeiros.
Ele distinguiria cristalinamente gestores de financeiros - assim como o faria
a maioria dos comentadores dos Estados Unidos, indo até ao tempo de Thorstein
Veblen [o fundador da escola institucionalista que morreu em 1929, que considerava
os financeiros uma classe ociosa]. A queda da Enron é muito séria,
mas é uma acusação contra a mania "desreguladora"
- e não contra o capitalismo empresarial, com o qual (pelo menos de acordo
com a definição de Chandler) tem muito pouco em comum.
«Chandler foi o "pai do boom"
da consultoria»
por Christopher
D. Mckenna, historiador de gestão, Brasenose College, Said Business
School, Universidade de Oxford, Reino Unido Alfred Chandler visto
por um historiador de gestão inglês, que vai lançar, até
final deste ano, «The World's Newest Profession: Management Consulting in
the 20th Century». Chandler desempenhou um papel essencial ao permitir às
firmas de consultoria, até então centradas na "reestruturação
das estruturas" das empresas, desenvolverem uma área de negócio
emergente, a de apoio no campo da estratégia aos líderes empresariais
e aos gestores. Não será mais correcto historicamente situar
o berço do conceito de "revolução da gestão"
e de emergência da disciplina da estratégia num conjunto de obras
e autores da época, que vão de Chester Barnard com «As Funções
do Executivo» (1938), a Peter Drucker com os seus livros seminais de 1946
e 1954, passando por Chandler sem dúvida, até finalmente Igor Ansoff
com «Estratégia de Empresa» (1965)? Embora seja verdade
que o trabalho de Chandler é um produto do seu tempo - foca nomeadamente
a teoria dos estádios do crescimento económico (influenciado certamente
por W. W. Rostow, que também ensinava no MIT naquele tempo) -, foi diferente
dos restantes estrategos, nomeadamente porque ele não se situava no campo
dos teóricos da gestão, mas permaneceu um historiador. Isto explica
porque Chandler, diferentemente dos outros, sentiu que era tão importante
precisar os seus conceitos - a sua definição de estratégia
continua a ser a mais importante até hoje - e também porque a sua
perspectiva parecia ser bem diferente. Reestruturar
passou a ser uma consequência da estratégia, o que queria dizer que
a empresa tinha, primeiro, de analisar a sua estratégia antes de prosseguir
para uma estrutura diferente Podemos situar a emergência da
estratégia como "ferramenta" de gestão com o desenvolvimento
e afirmação das firmas de consultoria pioneiras nos anos 70, nomeadamente
com a velha McKinsey & Co e com a então mais jovem BCG (fundada nos
anos 60)? O trabalho de Chandler surgiu em simultâneo com as primeiras
firmas de consultoria estratégica. Antes de 1960, McKinsey & Co. não
era uma firma 'de estratégia', uma vez que a estratégia enquanto
disciplina ainda não existia. A firma de consultoria estava concentrada
no campo da reestruturação das organizações. De modo
semelhante, o Boston Consulting Group, que foi fundado no início de 1960,
depois de Bruce Henderson deixar a Arthur D. Little. Inc., também beneficiou
do novo interesse da estratégia como disciplina. O acrescento chave que
Chandler fez foi ligar estratégia e estrutura. Então, reestruturar
passou a ser uma consequência da estratégia, o que queria dizer que
a empresa tinha, primeiro, de analisar a sua estratégia antes de prosseguir
para uma estrutura diferente. Uma vez que as empresas têm necessidade de
rever frequentemente as suas estratégias, o crescimento da consultoria
estratégica deu um enorme salto e as consultoras que conseguiram tirar
proveito deste crescimento saíram-se muito bem. Nos anos 80, tivemos
dois momentos históricos-chave - o primeiro livro do académico Michael
Porter sobre estratégia e a obra de Tom Peters e Bob Waterman, então
consultores da McKinsey. Qual foi o impacto destes acontecimentos na disciplina
da estratégia? Michael Porter teve um papel notável ao
trazer os princípios básicos da economia para a estratégia.
Ao "reembalar" as bases da economia como estratégia, Porter revolucionou
o modo como a escola da gestão ensinava estratégia. O seu trabalho
serviu como aproximação entre esses dois domínios que estiveram
separados desde o momento da sua concepção. Em comparação,
o trabalho de Peters e Waterman - «Em Busca da Excelência» -
concretizou dois objectivos de uma só vez. Em primeiro lugar, o seu livro
mostrou o potencial de venda em quiosques destes livros de gestão. Desde
essa altura que os estrategos e outros autores têm procurado que cada novo
livro publicado seja um bestseller. Em segundo lugar, o livro mostrou que ter
um autor - ou autores - de um bestseller na empresa de consultoria pode em muito
ajudar o crescimento da sua facturação. Assim, enquanto o trabalho
de Porter fundamentalmente modificou a natureza do ensino dos MBA em estratégia;
o trabalho de Peters e Waterman resultou na expansão do mercado para os
consultores dentro das empresas e firmas de consultoria. Depois do sucesso
do professor Porter e de Tom Peters - eles próprios transformaram-se, também,
em consultores com empresas próprias -, poderemos dizer que a ascensão
dessa nova profissão de então, a de consultor, se tornou um verdadeiro
negócio que acabou por dominar a revolução da gestão
cantada por Chandler? É tentador ver os consultores como dominantes
dentro do negócio que servem - e é verdade que as suas recomendações
modificaram fundamentalmente o modo como a economia ocidental funciona -, mas,
na realidade, é mais proveitoso compreender que a consultoria é
apenas uma parte de uma muito maior infra-estrutura institucional de profissões
que caracteriza o modelo empresarial no Ocidente (que é largamente americano
na sua origem). Assim, a consultoria, a mais nova profissão do mundo -
como eu titulo o meu próximo livro -, é apenas parte de um conjunto
de serviços profissionais, incluindo contabilidade, engenharia, firmas
de advogados, bancos de investimento, relações públicas,
publicidade, capital de risco e, ainda, escolas empresariais ou de gestão,
agora consideradas essenciais à modernização da economia
não-ocidental. Os consultores tornaram-se não só uma das
peças centrais, como recomendaram que países e empresas adoptassem
esta quantidade de conselheiros. Nesse processo, eles redesenharam, de facto,
a natureza da revolução do management na empresa, ao mesmo tempo
que institucionalizaram o lugar da estratégia no domínio dos negócios. Porter
foi o responsável pelo aparente abrandamento da estratégia nos anos
90. O seu domínio neste campo, quer como teórico quer como modelo
de ensino, significou que o período pós-porteriano deixou as pessoas
sem um claro guru para ligar à estratégia Poderemos
falar de um "deserto" nos anos 90, durante a Nova Economia, como o acusou
Porter recentemente na revista Harvard Business Review, falando na necessidade
de pôr fim a uma "contra-revolução" na estratégia? Porter
está simultaneamente certo e errado acerca da nova economia, como uma contra-revolução
em estratégia. Ele está certo quando diz que muitas startup empresariais
ignoraram a estratégia tal como ela é ensinada ou, então,
simplificam-na de modo a justificar a sua existência para os capitalistas
de risco. Por outro lado, Porter foi o responsável pelo aparente abrandamento
da estratégia nos anos 90. O seu domínio neste campo, quer como
teórico quer como modelo de ensino, significou que o período pós-porteriano
deixou as pessoas sem um claro guru para ligar à estratégia. Tal
como num período de saída de um jogador desportivo marcante, os
êxitos individuais das estratégias na construção de
novos modelos pareceram menos significantes, não porque esse domínio
estivesse menos activo, mas porque ninguém de fora conseguiu associar um
único vulto àquela disciplina. Como avalia a contribuição
para a estratégia de livros de líderes empresariais que apareceram
nos últimos 50 anos, como o de Alfred Sloan (Os Meus anos na GM) ou de
Andy Grove («Só os Paranóicos Sobrevivem»)? É
importante mencionar que Chandler ajudou Sloan a escrever essa sua famosa memória,
por isso não é surpreendente que nele se observe a influência
dos seus pontos de vista. De modo similar, o facto de Grove, da Intel, ter estado
a ensinar na Universidade de Stanford durante alguns anos constituiu, também,
clara ajuda para delinear um livro que não é só uma memória,
mas uma importante exposição sobre estratégia. No entanto,
geralmente, as memórias empresariais não são muito úteis
para teorizar decisões. Note-se que, mesmo excelentes memórias,
como a de Tom Watson, Pai, Filho & Cª, sobre a IBM, são mais interessantes
para discussão de aspectos pessoais de como gerir uma empresa do que para
formular uma estratégia. Assim, aspectos da decisão da IBM em capitular
face ao governo americano como resposta aos processos legais antitrust, revelaram-se
estar tanto em sintonia com a psicologia das pessoas como com as dimensões
estratégicas do problema. No entanto, isto encontrava-se em directa contradição
com o modo como a estratégia objectiva vinha sendo ensinada. 40
anos depois da obra pioneira de Chandler, a estratégia tornou-se definitivamente
uma mercadoria, ainda que uma mercadoria com conhecimento incorporado? Afortunadamente
para Chandler, e para todos nós que trabalhamos na ligação
da estratégia com a história, a estratégia ainda não
é uma mercadoria. Uma mercadoria é um bem indiferenciado, e por
isso barato - comparativamente, a estratégia pode ser facilmente diferenciadora
e ser valiosa. O que é interessante é que, quarenta anos depois
do trabalho pioneiro de Chandler sobre estratégia, a história mais
uma vez surge como peça fundamental para a análise em estratégia.
Distinguindo a análise estratégica das estratégias genéricas
e das simples mnemónicas, os estrategos, com os historiadores, estão
outra vez a demonstrar as importantes diferenças entre estratégia
e economia. Neste sentido, o trabalho de Chandler não é apenas alfa
- o ponto de partida -, mas também omega - o ponto de chegada - no crescimento
da estratégia como disciplina.
«Foi o ponto de partida de uma geração»
por
JoAnne Yates Uma das historiadoras seguidoras
da metodologia de Chandler Sloan School of Management, MIT, Cambridge, Estados
Unidos Alfred D. Chandler teve um grande impacto na gestão
e no meu trabalho pessoal, embora este não esteja dentro do contexto da
disciplina da estratégia. Sem dúvida que os estudantes de gestão
que leram algum tratado histórico, obrigatoriamente leram Chandler - nomeadamente
«Strategy and Structure or The Visible Hand». O primeiro livro, que
faz agora 40 anos, mostrava uma forma da gestão ligar a estratégia
com a estrutura e essa ligação é crucial para tentar melhorar
a gestão estratégica. A pesquisa de Chandler inspirou e
proporcionou as bases da minha própria investigação sobre
a emergência histórica dos sistemas de comunicação
nas empresas dos finais do século XIX, princípios do século
XX (refira-se o livro «Control Through Communication: The Rise of System
in American Management»). Foi o ponto de partida para muita da subsequente
investigação, minha e de outros, em gestão e na história
das empresas. Sem o trabalho pioneiro de Chandler, destacando as linhas mestras
da estratégia, da estrutura e da revolução empresarial, não
teríamos a base sobre a qual edificar. Muitos de nós encontrámos
informações adicionais para juntar àquela perspectiva, mas
sem ela como ponto de partida, o nosso trabalho teria tido muito menor alcance.
«O privilégio de ter aprendido com um Mestre»
por
James Cortada Historiador de gestão
e quadro superior da IBM Director da CSP Programs, Sales Operations, Madison,
EUA Escreveu com Chandler A Nation Transformed by Information
O professor Chandler e eu reunimos um grupo de historiadores e professores de
gestão empresarial com o objectivo de examinar o papel que a informação
tem desempenhado nos Estados Unidos desde 1700 até aos nossos dias. O produto
desse trabalho é «A Nation transformed by Information: How Information
has shaped the United States from Colonial Times to the Present» (editado
em 2000 pela Oxford University Press). Ele guiou-nos através de uma análise
que mostra como as tecnologias da informação foram usadas ao longo
dos séculos.
Assim, estudámos como o papel da informação
nos tempos coloniais tornou possível a emergência das filosofias
políticas actuais; qual a relevância do papel dos Correios na propagação
da informação na economia e na sociedade; qual o papel da informação
e das tecnologias da informação na criação da organização
moderna; a repercussão da rádio e da televisão, entre outros
casos, na vida da segunda metade do século XX; o aparecimento e a expansão
do computador e da sua indústria; o papel do PC e da Internet no lar e,
noutro capítulo, os seus efeitos no mundo empresarial (assim como os efeitos
da computação na gestão). Neste livro, demos conta
da extraordinária importância do elemento informação
na sociedade americana. O professor Chandler ensinou-nos a focalizar a nossa análise
no modo como a informação e as tecnologias da informação
emergiram e foram utilizadas ao longo do tempo, identificando padrões de
comportamento. Pessoalmente, sinto o privilégio de ter aprendido
com um grande Mestre. Ele tem uma compreensão tão profunda,
sabe tanto de História e está tão à vontade para falar
sobre o papel dos computadores como sobre o funcionamento das auto-estradas e
dos correios na América.
«Chandler narrou a última revolução industrial»
por
Gary Hamel London Business School, fundador da Strategos
Alfred Chandler descreveu a inovação organizacional que gerou a
grande empresa. Não há dúvida que a grande organização
industrial foi a mais importante inovação humana dos últimos
150 anos. E este facto criou uma prosperidade sem par no mundo. Mas,
o meu argumento é que vivemos, hoje, num mundo com mais descontinuidade
do que há 40 anos atrás quando Chandler escreveu «Estratégia
& Estrutura». A minha pergunta virada para o futuro é
esta: um historiador, um Chandler, em 2030, o que é que narrará
em termos das práticas mais inovadoras da era pós-industrial?
Creio que é neste terreno que teremos de nos envolver. Chandler
descreveu a última revolução industrial. Eu estou interessado
na próxima revolução da gestão e da inovação.
No passado, a revolução da gestão estava mais interessada
na optimização, hoje temos de estar mais focalizados na inovação.
Aliás, as grandes organizações, multidivisionais, foram
uma pura invenção humana. O que eu, agora, estou interessado
é no que virá a seguir.
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