| É um
dos pontos de honra nos livros haver os tais agradecimentos,
em que se dá uma palavrinha a toda a gente envolvida
e mais à família e ao gato ou ao cão.
A gente envolvida está na ficha técnica
e é pessoal a quem não preciso desses
salamaleques, nem eles apreciam. São parceiros
do projecto Janela na Web, desde o Buchinho ao Anthony.
A família não faço ideia se teve
a tal paciência que sempre se evoca. Uma parte
dela, dois membros (a Catarina e o Alexandre), participou
afincadamente no próprio trabalho.
O propósito deste agradecimento é outro.
É explicar o porquê desta edição,
agradecendo, de facto, a algumas pessoas a quem nem
lhes passará pela cabeça este pequeno
gesto de escrita.
Com uma delas foi-se desenvolvendo uma relação
de cumplicidade simpática ao longo de anos. A
essa pessoa devo o meu interesse, desde 1985 (quando
li «Inovação & Empreendedorismo»),
pelo Management, assunto de que nunca tinha ouvido falar
seriamente quando antes do 25 de Abril andei por «Económicas»,
e que, por ironia, haveria de passar a ser o meu ganha-pão
de escrita a partir de 1988.
A ideia dos gurus surgiu com um amável convite
dessa pessoa, Peter Drucker, para uma entrevista pessoal
em sua casa, em Claremont, na Califórnia.
Durante uns anos eu trocara muitos «faxes»
e raros telefonemas com o velho Drucker, uma pessoa
um ano mais velha que o meu falecido pai. A primeira
curta entrevista que ele me concedeu está nesta
listagem e foi como um pontapé de partida de
um jogo de comunicação.
Muito jornalista tem a ideia de que os gurus são
almas inacessíveis. A maioria esmagadora não
o é (o único que até à data
«persegui», com quem já troquei «email»,
mas não consegui pô-lo a responder foi
Tom Peters, um dos ausentes desta lista). Também
nenhum, alguma vez, me pediu um centavo para proferir
as respostas - se o tivesse feito, é certo que
o mandaria passear.
Drucker, um velhote simples e simpático, um
contador de Histórias fascinante, foi o primeiro
a mostrar-me que aos leitores se tem a obrigação
de dar valor acrescentado quando se comenta um novo
livro ou um «paper» importante - em suma,
colocar, em directo, o autor a falar. Ou não
tivesse sido Drucker, «himself», um jornalista.
Estes homens influenciam ideologicamente milhões
e milhões de pessoas, seguramente alguns milhares
em Portugal, e é bom fazê-los «aproximar»
do seu público - é esse o propósito
de Gurus em Discurso Directo. O jornalista serve, apenas,
de «intermediário», com muito gozo
óbvio.
E foi isso que começei a fazer, com o inestimável
apoio e constante incentivo de dois grandes amigos,
Virgilio de Azevedo, então editor do caderno
de Economia do Expresso e, mais tarde, do meteórico
«XXI», e Jaime Fidalgo, o editor do «caso»
de sucesso que é a Executive Digest, que, aliás,
nalguns casos, comigo fez parceria, como num dos que
mais gozo deu, o célebre frente-a-frente entre
Michael Hammer e James Champy, a propósito da
reengenharia, que também pode ler nesta lista.
Mas muito deste trabalho com 50 figuras de várias
partes do mundo não teria sido possível
em quatro anos, se a Internet não tivesse sido
a «mão invísivel» que me permitiu
a obra.
E essa ajudinha, eu devo-a a Nicholas Negroponte. Eu
começara a «perseguí-lo» desde
que tinha estado no Media Lab em Boston e com o seu
livro «Being Digital» achei que era a hora
de o entrevistar.
Mas ele foi peremptório num «fax»
que recebi da sua secretária: «Jorge, Nicholas
diz que só dá entrevistas por 'email'».
E, assim, nesse mesmo dia, corri a arranjar o «email»
que ainda hoje tenho. Ao fim de alguns meses, numa aberta
de um voo transatlântico, ele respondeu a um dos
«pendentes» que tinha na caixa de correio
electrónico.
Ele achou curioso um português a entrevistá-lo
e algumas perguntas pareceram-lhe bizarras, vindas de
um pragmático que aderira à Net por causa
dele e que começara a vasculhar penosamente a
Web num «Mosaic» inenarrável naqueles
meses primitivos de 1994/1995.
O resultado foi a entrevista publicada na Digest (e
que pode ler nesta listagem) e que fez capa, ainda o
guru do digital não era uma «estrela»
de referência em Portugal. Ele não fazia
ideia de quem eu era, e quando veio a Lisboa, pela primeira
vez, não se lembrava de mim obviamente (o que
fez rir de espanto o meu colega Paulo Querido). O mundo
«ciber» é assim.
Muitas das entrevistas, por isso, são puro produto
«ciber». Outras não, foram feitas
ao vivo, e com alguns dos gurus estabeleceu-se uma relação
de grande amizade, como com Jack Nilles e sua mulher
Laila, um excelente casal amigo em Los Angeles.
Alguns dos trabalhos divulgaram, pela primeira vez,
os autores e os livros. Um caso de destaque é
o do casal Don Tapscott e Ana, sua mulher de origem
portuguesa, e a divulgação em Portugal,
em primeira mão, de livros que hoje estão
a marcar os politicos da economia digital.
Muitas das obras divulgadas foram-no antecipadamente.
A amizade entretanto criada permitiu que alguns autores
continuem a enviar, com antecedência, as «uncorrected
proofs», que o leitor português tem o privilégio
de conhecer antes do tempo (de publicação).
Algumas delas foram depois traduzidas para português
graças à Margarida Fonseca, que acreditou
que a gestão e o digital pagariam as facturas
e que as traduções deveriam sair em simultâneo
ou, pelo menos, pouco tempo depois da edição
original. E não anos depois.
Espero que Gurus em Discurso Directo agrade ao leitor.
O produto estará em permanente actualização.
Se quiser emitir a sua opinião faça-o
no «guest book».
A melhor recompensa deste trabalho serão os
«emails» dos leitores, sobretudo para quem
acredita, como eu, num jornalismo «um-a-um»
(como agora se diz para o marketing).
Para os mais sensíveis, peço desculpa
das expressões em inglês.
Uma saudação especial aos muitos leitores
da Janela na Web no Brasil, que têm nutrido um
interesse particular pelas novidades ligadas aos gurus.
Boa leitura,
Jorge Nascimento Rodrigues
(jnr@groupadventus.com)
Maio de 1999
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